Quando o ódio fala mais alto que a razão: o ataque à filha de Justus e o retrato de uma sociedade doente

Não é justo, é cruel. Uma criança de apenas quatro anos foi alvo de ataques covardes nas redes sociais — tudo porque apareceu em uma foto usando uma bolsa de grife. Sim, a filha de Roberto Justus e Ana Paula Siebert virou símbolo involuntário da desigualdade no Brasil, e pagou, com seu nome e sua imagem, o preço da frustração de muitos. O mais estarrecedor? Um professor universitário liderou a agressão verbal. Aquele que deveria ensinar ética, respeito e cidadania foi o primeiro a cruzar a linha — uma atitude tão desumana que nos faz perguntar: o que estamos formando nas salas de aula?

“É pobre não o que tem pouco, mas o que muito deseja.” Essa frase antiga ajuda a compreender o que há por trás de ataques como esse. Não estamos diante da pobreza material, mas de uma miséria mais profunda: a miséria de espírito. Quem usa o sucesso alheio como combustível para destilar ódio, especialmente contra uma criança, não está pedindo justiça social — está gritando sua própria frustração e inveja, na esperança de encontrar plateia.

Ana Paula foi direta: “É instigar a morte, o ódio”, disse em vídeo nas redes sociais. E ela tem razão. O debate sobre desigualdade é necessário, claro, mas usar uma criança como alvo é covardia. Não há argumento moral ou social que justifique o linchamento virtual de alguém que sequer entende o que está acontecendo. Quando adultos — especialmente educadores — perdem esse senso de proporção, o problema deixa de ser político e passa a ser ético.

Roberto Justus também se posicionou. Lembrou que trabalha há quase cinquenta anos, gerando empregos e criando oportunidades. “O empresário virou vilão no Brasil”, desabafou. É um alerta justo. Vivemos em um país onde o sucesso incomoda mais do que a corrupção, onde quem empreende é criticado e quem inveja é aplaudido. Mas não há sociedade próspera sem aqueles que arriscam, investem e fazem a roda girar.

O mais grave é o exemplo vindo de onde menos se esperava: um professor universitário. Em vez de promover diálogo e reflexão, ele preferiu instigar a divisão. Essa “luta de classes” distorcida virou desculpa para o pior da natureza humana — rancor, intolerância, inveja. Quando o debate se transforma em ódio, não estamos mais falando de justiça, mas de linchamento público.

A internet não pode ser terra sem lei, e não há avanço quando confundimos justiça com vingança. Em vez de atacar quem tem, por que não refletir sobre o que ainda nos falta? Caráter, talvez. Ou empatia. Porque, no fim das contas, quem muito deseja o que é do outro vive eternamente insatisfeito — e essa, talvez, seja a pior forma de pobreza.

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