🧭 Rotas & Caminhos
Caminhos que valem o passo — e a pausa. Aqui a gente compartilha rotas vividas, descobertas úteis e jeitos diferentes de seguir em frente.

Caminhos pela Amazônia: muito além do caniço e da minhoca
A Amazônia é, sem exagero, dona dos rios mais bonitos, imponentes e misteriosos do mundo. São verdadeiras avenidas líquidas, cortando a floresta com majestade e ritmo próprio, como se carregassem em suas águas não apenas barcos, mas histórias, culturas, modos de vida e sonhos. E no entanto, quando se fala em turismo fluvial por estas bandas, a conversa ainda costuma acabar no caniço e na minhoca — sinônimo quase exclusivo de “turismo de pesca”.
Enquanto isso, em outras partes do mundo, países com rios bem menos exuberantes do que os nossos transformaram suas águas em destinos consagrados. O Rio Douro, em Portugal, atrai milhares de visitantes com seus passeios entre vinhedos e montanhas. O Tejo, que cruza Lisboa com elegância, é celebrado com cruzeiros, cafés nas margens e uma vida urbana que abraça o rio. Na Holanda, o Amstel é tão parte da identidade local quanto as bicicletas. E o Moldava, em Praga, mostra que até um rio encurtado pelo inverno pode ser um palco permanente de encantos.
Falta-nos visão — e gestão. O turismo fluvial na Amazônia ainda está em fase embrionária, carente de planejamento, estrutura e vontade política. É preciso romper com a lógica de que o rio só serve ao transporte ou à pesca esportiva. Há espaço — e necessidade — para cruzeiros regionais, pequenas embarcações turísticas com conforto, pousadas ribeirinhas com estrutura adequada, roteiros culturais, gastronômicos e de contemplação. O que não falta é paisagem nem autenticidade. Falta o uso inteligente do que já está posto pela natureza.
Imagine navegar por entre os igarapés do Tapajós ao entardecer, com guias locais contando causos e histórias de seus antepassados. Ou subir o Rio Negro com paradas programadas em comunidades artesãs, saboreando peixes nativos ao som de lendas contadas à beira da fogueira. Isso já existe, em pequenas escalas, e com muito esforço individual — mas poderia (e deveria) ser política pública com apoio logístico, crédito e promoção internacional.
O turismo sustentável fluvial não substitui o tradicional — ele amplia. Ele gera renda, preserva a cultura, dá protagonismo às comunidades ribeirinhas e ajuda a manter a floresta em pé. Mas para isso, é preciso trocar a lente estreita por uma de longo alcance, que enxergue o rio não só como recurso, mas como rota de futuro.
Porque se temos os rios mais belos do mundo, está na hora de tratá-los como tal. E de convidar o mundo a conhecê-los — não só pela pesca, mas pela imensidão da experiência que só a Amazônia pode oferecer.

Turismo no Brasil: a beleza que espanta, quando deveria encantar
O Brasil é um país que não explora o turismo — explora o turista. Enquanto boa parte do mundo investe em receber bem, por aqui seguimos empurrando o visitante pra armadilhas, como se ele fosse culpado por querer conhecer nossas paisagens, nosso povo, nossa cultura. É inconcebível que um país com tanta beleza natural e riqueza cultural receba, em um ano inteiro, menos turistas que a Torre Eiffel em Paris. E o pior: quem vem, muitas vezes sai com mais susto do que saudade.
Pelas bandas de cá, o turismo ainda é tratado como improviso — quando deveria ser prioridade. Temos cenários deslumbrantes, cidades históricas, sabores únicos e um povo naturalmente acolhedor. Mas basta caminhar por pontos turísticos como Copacabana, Pelourinho ou a orla de Porto de Galinhas para ver que falta o básico: segurança, estrutura, respeito e, principalmente, bom senso.
Não é de hoje que o Brasil assusta quem visita. E não é pelo tamanho da natureza, é pelo abandono do que deveria ser regra. A poucos dias, um turista foi cobrado três mil reais por uma caipirinha em um quiosque no Rio de Janeiro. Sim, isso aconteceu. E não foi o primeiro caso. Golpes, valores surreais, falta de fiscalização e descaso generalizado vêm transformando lugares que deveriam inspirar encanto em experiências amargas.
É claro que violência existe em todos os países. Mas aqui, ela passeia sem cerimônia por nossos principais cartões-postais. O turista se vê obrigado a esconder o celular, andar desconfiado, atravessar a rua ao ver um grupo estranho — isso quando não é diretamente abordado, furtado, assaltado ou enganado. É inadmissível que em pleno século 21 o Brasil ainda ofereça risco no lugar de recepção.
E não se trata só de segurança. O problema é mais profundo: é cultural, é institucional. Cobram-se fortunas por serviços medíocres, restaurantes superfaturam pratos básicos, motoristas aumentam o valor da corrida no grito. O turista é visto como presa fácil, e a vergonha disso é que muitos vão embora dizendo que adoraram o povo, mas detestaram o jeito como foram tratados.
O Brasil precisa decidir se quer realmente ser um país que recebe — ou apenas que empurra. O turismo tem um potencial gigantesco de gerar emprego, renda, dignidade. Mas isso só acontece quando há compromisso, fiscalização, educação e orgulho de receber bem. O brasileiro, com sua alegria espontânea, poderia ser o melhor anfitrião do mundo. Mas para isso, é preciso frear os abusos, corrigir os absurdos e valorizar quem faz certo.
Temos tudo para encantar. Mas se continuarmos assim, vamos seguir espantando.
💬 ProsaS & Memórias
Entre um gole de café e um sopro de memória, a prosa corre solta. Histórias, reflexões e causos que fazem a vida navegar mais leve.

Prosa sobre a Venezuela: muito além do jargão político
Você conhece a Venezuela? Se não conhece, é bem provável que pense que lá só exista crise, escassez e chavismo. Afinal, basta criticar um político por aqui que já vem alguém com aquele bordão cansado: “então vai pra Venezuela!”. Mas a verdade, meus amigos, é que esse país vizinho é muito mais do que manchete ou meme político. É terra de praias deslumbrantes, gente calorosa, culinária de dar saudade e uma beleza que, sinceramente, faltam palavras pra descrever.
A Venezuela não é só Maduro; não é só governo; não é só esquerda ou direita — seja lá o rótulo que queiram usar. É um país de gente que resiste com sorriso no rosto, de música boa que invade as esquinas, de sabores únicos que misturam mar, montanha e memória. É Caribe na essência — e brasileiro que é brasileiro, se conhecesse mesmo Los Roques, Margarita ou Tucacas, jamais usaria o nome do país como piada.
Ali, o mar é turquesa de verdade. As praias são molduras naturais que, só de lembrar, dá vontade de voltar. Os frutos do mar chegam frescos, direto do barco pra mesa. A música embala a vida como se fosse obrigação dançar. E o povo — ah, o povo — é de uma empatia que surpreende até o viajante mais calejado. Mesmo enfrentando dificuldades imensas, os venezuelanos sabem receber; sabem rir; sabem fazer do momento presente uma festa, mesmo com pouco.
É claro que há problemas — ninguém nega. Mas há também uma injustiça na forma como muitos reduzem um país inteiro à sua política. A Venezuela é vizinha de porta; e mais do que isso, é parente cultural. Nos parecemos na alegria, na fé no improviso, na capacidade de sorrir diante da tempestade. Só que, enquanto olhamos pra lá com desdém, eles seguem nos recebendo com braços abertos — mesmo quando muita coisa lhes falta.
Essa prosa é só pra lembrar que país nenhum cabe em uma frase feita — muito menos em um ataque raso de internet. A Venezuela é mais: é mar, é música, é gente. E merece ser vista com os olhos certos — não os da ideologia, mas os da empatia.

Prosa de Bar: o antídoto da alma
Às vezes, nem precisa chegar o fim de semana pra o estresse bater à porta com força. E ele não pede licença, não — entra derrubando tudo. Vem do trabalho, dos boletos, das frustrações, dos problemas dos outros que viram seus… Enfim, tem pra todos os gostos e desgostos. E, nessa hora, não há calmante melhor do que um bom encontro na mesa de bar.
Ali, entre um gole e outro, a vida desacelera. A conversa flui. Quando não encontramos os amigos de sempre, fazemos novos. E o milagre acontece: ninguém lembra de falar de política, do chefe insuportável, da pilha de contas ou das pendências da vida. Fala-se de bobagens, de histórias antigas, de sonhos esquecidos, de futebol, de música, de amores mal resolvidos — e tudo isso sem pressa, sem filtro e, muitas vezes, sem lembrar no dia seguinte o que tanto se falou.
O bar, nesse contexto, vira templo — um templo profano, é verdade, mas eficaz. É ali que o riso ganha força e o peito fica mais leve. Aquele peso que carregávamos na chegada vai sumindo, como se fosse empurrado pelas gargalhadas, pelo som dos copos se encontrando, pelo calor das vozes que se sobrepõem ao ruído da cidade. E, cá entre nós, às vezes é tudo o que a gente precisa: não resolver, mas aliviar.
E sempre que estou ali, num canto qualquer, com um copo na mão e a alma em paz, me pego pensando nos que não bebem. O que será que eles fazem pra aliviar o mundo? Talvez orem — e se estão de joelhos, quem sabe o joelho doa tanto que o corpo esqueça do estresse. Pode ser que encontrem refúgio no silêncio, na meditação, no chá de camomila. Mas confesso: tenho minhas dúvidas se funciona tão bem quanto uma boa mesa de bar.
Claro, cada um com sua crença, com seu escape, com seu ritual. Mas, pra mim, a mesa de bar é lugar sagrado. Não pelo álcool, mas pelo afeto. É onde se cura sem bisturi, se consola sem drama, se ri sem motivo e se vive sem pressa. E isso, meus amigos, é coisa rara nesse mundo que só sabe correr.
Junte-se a nós! Este é um espaço feito para quem gosta de explorar caminhos, trocar ideias e refletir sobre tudo o que move o nosso dia a dia. Aqui, quando falamos de rotas, falamos de trajetos de vida, viagens, escolhas pessoais, profissionais e também de temas atuais — como meio ambiente, inovação, economia, cultura, sociedade e até finanças, sempre com uma linguagem acessível e sem complicação.
E como toda boa rota merece uma boa prosa, criamos um ambiente leve, aberto e respeitoso, onde as ideias circulam como numa boa conversa entre amigos. Você pode sugerir temas, enviar opiniões, compartilhar experiências e até fazer críticas construtivas. Queremos te ouvir! Junte-se a nós nessa caminhada. Quanto mais gente participando, mais rica e interessante se torna a jornada.









