As Festas Juninas de 2025 estão pegando fogo antes mesmo de acender a primeira fogueira. Mais populares do que o próprio Carnaval em muitas regiões, os arraiás deste ano prometem injetar nada menos que R$ 7,4 bilhões na economia brasileira, segundo dados do Ministério do Turismo. O número é três vezes maior do que o registrado no ano passado, e a previsão é que mais de 24 milhões de pessoas participem dos festejos de norte a sul do país. E o melhor: boa parte desse dinheiro fica nos próprios municípios, aquecendo o comércio local, o turismo e a geração de renda.
Ao contrário do Carnaval, que dura poucos dias, o ciclo junino pode se estender por até dois meses, impulsionando as vendas de comidas típicas, roupas, enfeites e ingressos para shows. Uma pesquisa da Globo Gente mostrou que 85% dos brasileiros gastam mais nas festas juninas do que na folia de fevereiro. E não é só questão de consumo: em várias capitais, como Salvador e Belo Horizonte, o São João já é considerado a celebração mais aguardada do ano. O Nordeste, como sempre, lidera essa movimentação com os gigantescos festejos em Caruaru e Campina Grande, que juntos devem atrair mais de 6 milhões de pessoas e movimentar mais de R$ 1,4 bilhão.
Minas Gerais também não fica atrás. O projeto “Minas Junina 2025” prevê que mais de 3,3 milhões de pessoas participem das festas em todas as regiões do estado. Já em São Paulo, a maior cidade do Brasil, o fluxo turístico entre junho e agosto deve crescer 11,5%, com impacto econômico de R$ 389 milhões. Mossoró, no Rio Grande do Norte, é outro destaque: a festa local pode gerar R$ 377,2 milhões em consumo. Ou seja, São João virou sinônimo de oportunidade para o comércio, o setor de eventos e até para quem busca uma renda extra.
A explosão econômica se reflete nos números. Segundo a consultoria KPMG, o varejo e o setor de alimentos registram alta nas vendas sazonais, com produtos como canjica, milho, amendoim e doces regionais entre os mais vendidos. A Scanntech apontou um aumento de 12,7% no faturamento desses itens em junho e julho. Restaurantes, barracas, hotéis e empresas de turismo estão entre os grandes beneficiados. De cada dez turistas, um gasta mais de R$ 1.000 com passagens, hospedagem e alimentação. Já 62% dos entrevistados pelo Serasa esperam ganhar uma renda extra com os festejos — e metade pretende usar o dinheiro para pagar contas atrasadas.
Com a economia se mexendo, até o preço dos produtos típicos deu uma trégua. Segundo o FGV IBRE, os itens juninos ficaram apenas 1,60% mais caros nos últimos 12 meses — bem abaixo dos 4,56% da inflação geral. Produtos como coco ralado, milho e doces tiveram até queda nos preços, graças a uma boa safra e à maior oferta no mercado. Isso significa que neste ano, além de dançar quadrilha e saborear pamonha, o brasileiro também poderá economizar.
A origem da Festa Junina é antiga e cheia de história. Trazida pelos portugueses, foi incorporando elementos indígenas e africanos ao longo dos séculos e virou esse caldeirão cultural que conhecemos hoje. Comemora-se São João, Santo Antônio e São Pedro com forró, fogueira, bandeirinhas e aquele clima de interior que conquista até quem mora nos grandes centros. Mas agora, além da tradição, o São João virou uma potência econômica que une cultura popular e oportunidade de negócios.
Enquanto isso, o Brasil colhe os frutos — ou melhor, os milhos — dessa festa que vai muito além do folclore. O São João é hoje um motor de desenvolvimento regional, um polo de geração de renda e um orgulho nacional. E quem diria? A quadrilha virou negócio sério. E um negócio que movimenta bilhões.




Deixe um comentário