A inteligência artificial já não é mais uma promessa do futuro — ela está moldando o presente, inclusive nas formas como empresas atraem, recompensam e retêm seus talentos. No evento global Total Rewards ’25, realizado em maio, mais de dois mil especialistas em gestão de pessoas e remuneração se reuniram para discutir como lidar com as rápidas transformações no mercado de trabalho. E o recado foi claro: quem não ajustar sua política de valorização de talentos à nova realidade corre o risco de ficar para trás.
Em um mundo corporativo cada vez mais incerto, onde a economia global oscila, os conflitos geopolíticos se intensificam e a tecnologia avança a passos largos, a forma de gerir pessoas também precisa evoluir. A IA, por exemplo, deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passou a influenciar diretamente as decisões sobre salários, benefícios e planejamento de carreira. Mais do que valores financeiros, os colaboradores buscam flexibilidade, propósito e bem-estar — e as empresas que entenderem isso estarão um passo à frente na corrida por bons profissionais.
Um ponto central nas discussões foi a necessidade de transparência e personalização nas políticas de remuneração. Não se trata mais apenas de pagar bem, mas de construir uma proposta de valor que inclua equilíbrio emocional, qualidade de vida e oportunidades de crescimento. Casos como os da Microsoft e da Accenture mostram como a IA pode ajudar a fazer ajustes salariais justos, orientar promoções e criar trilhas de carreira sob medida, com menos viés e mais eficiência.
Outro destaque foi a valorização de algo que a IA ainda não consegue replicar: a criatividade humana. Duncan Wardle, ex-vice-presidente da Disney, defendeu que a tecnologia deve ser usada como copiloto e não como substituta da mente criativa. Isso vale especialmente na hora de pensar estratégias de retenção e motivação. Uma empresa que consegue unir inovação tecnológica com empatia e cultura organizacional sólida tende a ser mais atraente para talentos em busca de propósito.
Além disso, os líderes do futuro precisam estar mais preparados do que nunca. Investir em formação continuada, desenvolver planos de carreira estruturados e criar ambientes onde o aprendizado constante é incentivado passou a ser tão importante quanto acompanhar inflação ou câmbio. Não é exagero dizer que a gestão de talentos se tornou uma área estratégica dentro das empresas.
Em resumo, estamos vivendo uma mudança de paradigma. O RH que apenas acompanha indicadores e distribui benefícios pré-formatados ficou no passado. Agora, tecnologia, sensibilidade humana e visão estratégica caminham juntos. E, para os empresários atentos, esse é um convite para rever processos, investir nas pessoas certas e usar a IA como aliada na construção de um futuro corporativo mais inteligente, justo e sustentável.




Deixe um comentário